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      Em áudio, médico de UPA negocia preço de caneta emagrecedora com paciente: ‘R$ 150 por semana’

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      Em áudio, médico de UPA negocia preço de caneta emagrecedora com paciente: ‘R$ 150 por semana’
      Em áudio, médico de UPA negocia preço de caneta emagrecedora com paciente: ‘R$ 150 por semana’ (Foto: Reprodução)

      MP denuncia esquema de venda e aplicação ilegal de remédio emagrecedor em clínica da família de Nova Iguaçu Um áudio obtido pelo RJ2 mostra um paciente negociando diretamente com um médico e uma supervisora administrativa a aplicação de uma substância usada para emagrecimento dentro de uma unidade pública de saúde em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o medicamento era vendido ilegalmente em uma UPA do município. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Na gravação, o paciente pergunta sobre um tratamento para perda de peso e relata ser “pré-diabético”. Mesmo sem apresentar exames, o atendimento prossegue. “A gente começa com uma dose inicial de 2,5. (...) Tem que fazer a 2,5, não adianta pular pra 5. Se você tomar uma de 5, você nunca mais volta aqui”, diz o médico em um trecho do áudio. Médico e servidora são afastados da UPA de Nova Iguaçu por comercialização ilegal de Mounjaro MPRJ / Divulgação. Em seguida, ele informa o valor da aplicação e pergunta à supervisora se ela poderia aplicar o medicamento. “Essa de 2,5 é R$ 150 por semana (...) Você consegue aplicar nele, Mônica?”, pergunta o médico. Investigação do MP A investigação começou após uma denúncia anônima sobre a comercialização irregular do medicamento dentro da unidade de saúde. Segundo o MPRJ, o médico clínico Fransergio Junqueira de Castro e a supervisora administrativa Mônica Branco Lopes Vieira da Silva seriam responsáveis pelo esquema. De acordo com a apuração, a supervisora fazia o primeiro contato com os interessados, enquanto o médico realizava consultas, indicava o tratamento e aplicava o medicamento sem exames clínicos adequados ou protocolos médicos específicos. “A enfermeira (...) fazia aquele primeiro contato e chamava o médico, o médico entrevistava o paciente, fazia perguntas genéricas, sem qualquer tipo de exame nem nada”, afirmou o promotor Bruno Gangoni. Ainda segundo o Ministério Público, o esquema funcionava em ciclos de quatro aplicações, com pagamentos feitos diretamente ao médico. “Era um programa de quatro injeções, quatro vezes que a pessoa ia lá na upa, mediante pagamento de 150 reais, pagamento esse que era feito por PIX na conta do médico”, disse o promotor. Medicamentos apreendidos Durante a operação realizada nesta quinta-feira (14), agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público cumpriram mandados de busca e apreensão na unidade de saúde e em endereços ligados aos investigados. Segundo a investigação, kits com ampolas da substância foram encontrados no carro do médico. Frascos do medicamento também foram apreendidos na casa da supervisora administrativa. Ao deixar a delegacia, Fransergio negou irregularidades dentro da unidade. “Eles não encontram nada dentro da clínica”, afirmou. Questionado se vendia medicamentos no local, respondeu: “Eu trabalho com isso, eu trabalho na minha clínica.” Médico e funcionária são afastados de UPA por comercializar canetas emagrecedoras Justiça afasta médico e supervisora A 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu determinou o afastamento do médico e da supervisora de funções em unidades públicas de saúde do município. Na decisão, o juiz Guilherme Grandmasson Ferreira Chaves afirmou que a conduta dos investigados “reflete negativamente na execução da política municipal de saúde”. A Justiça também autorizou a apreensão de celulares, computadores, documentos e planilhas dos acusados, além da quebra dos sigilos telefônico e telemático. OMS recomenda acompanhamento médico No fim do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou a primeira diretriz global sobre o uso de medicamentos para obesidade. O documento recomenda que tratamentos com substâncias emagrecedoras sejam feitos com acompanhamento médico, dentro de critérios clínicos específicos e associados à alimentação saudável e atividade física. O que diz a Prefeitura de Nova Iguaçu A Prefeitura de Nova Iguaçu informou que os profissionais investigados não pertencem ao quadro de servidores municipais, mas eram contratados pela Organização Social IDEAS, responsável pela gestão da unidade de saúde. Segundo o município, o desligamento imediato dos envolvidos foi determinado. A prefeitura também afirmou que os medicamentos investigados não fazem parte da lista de remédios fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e declarou que colabora com as autoridades responsáveis pela apuração do caso. "A Prefeitura de Nova Iguaçu esclarece que os profissionais citados na investigação eram vinculados à Organização Social IDEAS, responsável pela gestão da UPA 24h Patrícia Marinho, no Jardim Paraíso, e não integram o quadro de servidores efetivos da Secretaria Municipal de Saúde. Assim que tomou conhecimento do caso, o prefeito Dudu Reina determinou o desligamento imediato dos envolvidos e também do diretor-geral da unidade. A Secretaria Municipal de Saúde irá instaurar, nesta sexta-feira (15), uma comissão de acompanhamento para apuração interna do caso e adoção das medidas administrativas necessárias. A Prefeitura informa ainda que, durante a operação realizada pelas autoridades, não foram encontrados na unidade os medicamentos mencionados na investigação. Os produtos citados também não fazem parte da relação de medicamentos fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na rede municipal. O município reforça que está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação e que não tolera qualquer prática irregular dentro das unidades de saúde."

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