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      Projeto social ensina defesa pessoal para mulheres em situação vulnerabilidade no Rio
      Projeto social ensina defesa pessoal para mulheres em situação vulnerabilidade no Rio (Foto: Reprodução)

      Projeto social ensina defesa pessoal para mulheres em situação vulnerabilidade na Lapa Um projeto social na Lapa, na região central do Rio, ensina noções de defesa pessoal para dezenas de mulheres em situação de vulnerabilidade social ou que já sofreram algum tipo de violência. A iniciativa busca fortalecer a autoestima das participantes e ajudá-las a ressignificar suas histórias, ensinando também novas formas de enfrentar situações de risco no dia a dia. As atividades fazem parte do projeto Menina-Moça Mulher, desenvolvido pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Carlos Chagas. Nas aulas, as alunas aprendem técnicas de defesa baseadas no Muay Thai. Segundo a professora Ana Lino, responsável pelos treinos, o objetivo é preparar as mulheres para reagir em situações de perigo. “Aqui, primeiramente, a gente faz a base, que é através da arte marcial, que é o muay thai. Eu ensino os golpes e a defesa pessoal é quando essas mulheres estão em situação de risco, em situação de perigo. Elas estarem de frente com o agressor, e quando ele a imobiliza, ela sabe, através desses golpes, como se sair daquela situação”, explica Ana. Alunas recebem noções de defesa pessoal em projeto na Lapa, na região central do Rio Cristina Boeckel/ g1 As aulas, que começaram em abril do ano passado, acontecem uma vez por semana. Atualmente, cerca de 20 mulheres participam. A defesa pessoal é a porta de entrada para uma rede de apoio que inclui ajuda psicológica, tratamentos de saúde e cursos profissionalizantes. “Eu tive uma história de agressão dentro da minha casa. E isso me deu mais força ainda para que eu pudesse compartilhar aquilo que eu sei para essas mulheres. Para que elas possam, através da arte marcial, através da luta que eu ensino aqui, ressignificar o que elas passaram, ressignificar essa dor”, contou a professora. A balconista Maria Elis da Silva conta que fez outros cursos e as aulas ajudam a lidar com a ansiedade. “Eu paro de pensar mais nas outras coisas. Eu acho que eu ficava muito parada”, disse. A cozinheira Regiane Pires, que perdeu o filho há quatro anos, retomou a vontade de sair e encontrar outras pessoas. “Como eu ficava muito presa dentro de casa, eu conheci outros movimentos, e aí uma das colegas me orientou a vir para cá. E aí eu conheci a aula aqui e me senti bem. Hoje em dia eu não tomo tanto remédio como eu tomava antigamente. e todas as mulheres devem aprender a se defender, né?”, destacou Regiane. Professora Ana Lino ensina como se livrar de possíveis agressores Anne Poly/ TV Globo A auxiliar administrativa Renata Quintanilha tem uma filha com autismo, que exige cuidados. As aulas a ajudaram a se redescobrir. “Eu me sinto renovada. Parece que é uma terapia. Eu super indico para qualquer pessoa, de qualquer idade: seja jovem, adulto, idoso. Porque a professora respeita o limite de cada aluno, todo mundo se ajuda aqui”, destacou Renata. A professora, no entanto, destaca que as aulas são uma troca. “Sensação de missão cumprida, de realização, e com força para voltar no dia seguinte. Porque elas acham que eu estou aqui dando força pra elas mas, na verdade, são elas que me dão força para que eu continue com esse projeto”, encerrou Ana Lino. Alunas abraçam professora em projeto que ensina defesa pessoal para mulheres em situação de vulnerabilidade Anne Poly/ TV Globo Vulnerabilidade O Estado do Rio de Janeiro é o terceiro em número de feminicídios no país, com 104 casos registrados no ano passado. Em todo o Brasil, foram registrados 1.470 casos, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Apenas São Paulo e Minas Gerais tiveram mais ocorrências. De acordo com o Mapa da Mulher Carioca, divulgado na última semana, as notificações de ameaça totalizaram 102.470 casos no ano passado no município do Rio de Janeiro. Em 65,5% deles, as vítimas eram mulheres. Ainda sobre as vítimas, existe um recorte racial. As mulheres pretas e pardas, somadas, representam mais da metade dos registros, com 50,2%.

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